A História do João

Hoje venho contar-te a história do João (nome modificado!).

Quando me procurou, o João sentia-se perdido, sem rumo, sem propósito.

Vivia uma relação que já não o satisfazia, mas de onde não queria sair por se sentir, ‘’comodamente insatisfeito’’.

A intimidade praticamente não existia e nos 2 ou 3 dias por ano em que tinha relações com a sua esposa, tudo se processava de forma mecânica, ‘’para cumprir calendário’’- não havia uma palavra e a pressa que ela lhe impunha, deixava-o cheio de dúvidas sobre o seu desempenho! Chegou a pensar que algo de errado se passava consigo!

Desesperado, João não sabia o que fazer à sua vida.
Queria mais, mas tudo o que dizia e fazia, parecia servir de mote para que a sua companheira, em jeito de gozo, o desvalorizasse ainda mais.

Não conseguia sentir-se bem no relacionamento, mas também não queria sair dele pois, como me disse:

‘’O que vou fazer a seguir? Deixei de ter vida social que não sejam os eventos familiares e a festa de Natal no trabalho, onde vamos a dois. Não tenho amigos, nem interesses ou actividades fora do casamento. A minha vida resume-se ao trabalho, gestão da casa e da filha (ir levar e buscar às actividades) e ir para o sofá ver séries sucessivas até adormecer já a noite vai alta.’’

E continuava, como que em busca de uma bóia de salvação:

‘’Mas pelo menos isto eu sei que tenho. Posso não ter intimidade, mas tenho ‘’família’’, embora as conversas com a minha esposa se resumam à gestão da casa e da filha, e mesmo assim com algumas divergências que dão direito a discussões e amuos de parte a parte.
Estou cansado! Sei que não quero mais isto, mas também não sei estar sem ‘’isto’’!
Se abandonar aquilo que me é familiar, não saberei o que fazer! Sou um homem ”caseiro” e estou perto dos 50 anos’’

O João, como muitos homens que chegam até mim, sentia-se cansado e ‘’perdido’’ num relacionamento que já pouco lhe dava.

Não sabia o queria fazer da sua vida e não via solução.

Só sabia que chegara a um ponto que se estava a tornar insuportável.

Já procurara ajuda especializada junto de psicólogos e sexólogos, mas não lhe havia sido diagnosticado nenhum problema físico. O ‘’problema’’ estava na sua cabeça – estava a viver uma vida que não fora a que sonhara para si e não sabia o que fazer …

As discussões eram quase diárias e por motivos que, na maior parte das vezes não faziam sentido.

João já tentara de tudo o que estava ao seu alcance e não sabia mais o que fazer para captar a atenção da sua esposa, nem o respeito e a admiração que entretanto pareciam ter-se perdido.

Sentia-se desvalorizado, ignorado e não amado.

Queria mais para si…mas tinha medo! Tinha medo até de sonhar, pois… não se sentia merecedor de mais!

Quando o João começou a trabalhar comigo fomos resgatar os seus interesses, analisar aquilo que era importante para si na sua vida, o que era imprescindível num relacionamento, entre muitas outras situações.

O João começou a perceber coisas sobre si, sobre as quais nunca se tinha equacionado.

Percebeu o motivo porque a sua relação não o satisfazia e, à medida que a sua auto-estima se foi fortalecendo, percebeu e decidiu que merecia mais!

A relação do João já não foi a tempo de ser salva, pois  a certa altura ele descobriu que já não a queria manter – já nada lhe fazia sentido e continuar apenas pela ‘’comodidade incómoda’’, também deixou de ser ecológico para si!

Aos poucos o João começou a fazer actividades que descobriu que gostaria de fazer e nunca havia tido a oportunidade de experimentar.

Inscreveu-se numa escola de dança e começou, com muita dificuldade a início, a sair à noite (sozinho) para ir dançar.

Enfrentou os seus medos e permitiu-se sair da zona de conforto.

Aos poucos começou a integrar-se em grupos de pessoas que também dançavam – iniciou assim a construção de uma roda de novos amigos e conhecidos que se juntavam por um interesse comum. Começou a conviver!

O ar soturno com que chegara até mim, deu lugar a um sorriso de ‘orelha a orelha’Sentia-se vivo!

Agora até as mulheres mais jovens o ”viam” e demonstravam  interesse nele – não que ao início não lhe parecesse ‘’quase impossível’’!

Como eu, Helena, não acredito em impossíveis e sei que a magia acontece, quando nos permitimos estar abertos a ela, não fiquei surpreendida quando uns tempos mais tarde o João me confessou que tinha iniciado uma nova relação, com uma pessoa mais nova e que um dos seus sonhos de vida que foi impossível de realizar com a sua primeira mulher devido a uma menopausa precoce, estava agora a concretizar-se – ia ser pai pela segunda aos 53 anos de vida!

Hoje o João é uma pessoa feliz, com uma esperança de vida renovada a cada olhar do seu filho.